Exercícios aquáticos x terrestres – diferenças e curiosidades

 

Os princípios físicos da água, bem como os efeitos fisiológicos de um corpo em imersão, fazem com que as respostas fisiológicas dos seres humanos sejam diferentes durante a execução dos exercícios em meio líquido em relação aos realizados no meio terrestre.

Para entendermos as respostas fisiológicas no meio aquático antes precisamos observar os princípios físicos da água, que são: Densidade, Princípio de Arquimedes ou flutuação, Pressão hidrostática (Lei de Pascal), Viscosidade, Esteira, redemoinhos e arrasto e Calor específico da água,.

 

Princípios e respostas fisiológicas à imersão:

 

Densidade: é definida como a quantidade de massa ocupada por certo volume a determinada temperatura e pode ser expressa em quilogramas por metro cúbico (Kg/m3) ou gramas por centímetro cúbico (g/cm3) Skinner; Thomson (1985) d=m(Kg)/V(m3). A água pura (4º C) possui densidade (g/cm3) de 1,00; a média do corpo humano 0,97 e a densidade do ar é de 0,001. Uma pessoa ou objeto flutuará se sua densidade for menor que 1,0 e afundará se tiver densidade maior que 1,0 e ficará logo abaixo da superfície se for igual a 1,0. Uma curiosidade de acordo com esse princípio é que quanto mais densidade (massa muscular e massa óssea) uma pessoa tiver, mais afundará, o que significa que homens flutuam menos que as mulheres, crianças e idosos; outra curiosidade que influencia é a quantidade de gordura corporal: quanto mais gordura mais ajudará a flutuar, por mais esse motivo as mulheres flutuam mais que s homens e pessoas magras têm dificuldade de flutuar. Mais uma: é mais fácil flutuar em água salgada (do mar, por exemplo), pois a densidade média da água do mar é 1,03 grama por centímetro cúbico, resultado da mistura principalmente com o cloreto de sódio, apesar de a variação da densidade ser pequena, apenas 3%, é suficiente para que a pessoa sinta a diferença de empuxo e flutue mais.

Princípio de Arquimedes ou flutuação: quando um corpo está imerso completamente ou parte deste num líquido em repouso, ele sofre um empuxo para cima, igual ao peso do líquido deslocado. O empuxo, força exercida de baixo para cima (encontrada só em meio líquido) é uma força contraria à força de gravidade, devido a essa força que os corpos imersos apresentam peso aparente inferior ao apresentado no solo (Sacchelli; Accacio; Radi, 2007). Graças a esse princípio que o ambiente aquático é recomendado para obesos, pessoas em processo de reabilitação, idosos, com fraqueza óssea pelo menor impacto e redução do peso durante o exercício.

Pressão hidrostática (Lei de Pascal): Lei de Pascal afirma que, quando um corpo é imerso na água, a pressão do líquido é aplicada sobre todas as áreas da superfície do corpo imerso, sendo diretamente proporcional à profundidade e à densidade do líquido: quanto maior a profundidade e a densidade, maior será a pressão hidrostática exercida. (Skinner; Thomson 1985). A pressão hidrostática faz com que haja um aumento no retorno venoso do sangue ao coração, resultando assim em um maior volume de ejeção (débito cardíaco), consequentemente a freqüência cardíaca diminui (Bates, A.; Hanson, N., 1998), (Skinner; Thomson, 1985), configurando uma curiosidade: em uma mesma intensidade do exercício com o mesmo consumo de oxigênio (VO2) a frequência cardíaca na água tende a apresentar uma bradicardíaca em média de 8 a 13 batimentos por minuto, levando em consideração esta questão, a zona alvo de treinamento deve ser reajustada na água em relação a terra para que não haja erros de prescrição de treinamento. Mais curiosidade: de acrdo com este princípio há um aumento do trabalho respiratório em 65%, que pode ser explicado: com a água na altura dos ombros, proporciona uma compressão e resistência sobre a caixa toráxica e abdômen; pessoas com comprometimento respiratório grave ou com capacidade vital menor que 1000 cm³, devem iniciar o programa em piscinas mais rasas e de acordo com suas possibilidades.

Viscosidade: é um termo científico usado para medir o atrito que ocorre entre as moléculas de um determinado elemento; a água é um meio mais denso que o ar, e cria resistência nos movimentos devido ao atrito com as moléculas da água em nosso corpo. Princípio que justifica trabalho no meio aquático para o fortalecimento da musculatura. (Caromano e Nowotny 2002). O líquido é considerado de alta viscosidade quando flui lentamente, e de baixa viscosidade quando flui mais rapidamente, variando também com a temperatura deste líquido. A viscosidade da água quente é maior que a água fria e a resistência que a água oferece é 12 vezes maior que a fora da água. Curiosidade deste princípio: na hidroginástica ou qualquer modalidade aquática quando executamos um movimento trabalhamos os músculos agonistas e antagonistas do movimento, caracterizando o meio aquático como um estímulo ao trabalho global de fortalecimento.

 

Esteira, redemoinhos e arrasto: Becker EB apud Caromano e Nowotny, quando um objeto se move através da água, cria-se uma diferença na pressão à frente e na traseira do objeto, sendo que a pressão traseira torna-se menor que a dianteira. Como conseqüência, ocorre um deslocamento do fluxo de água para dentro da área de pressão reduzida (denominada esteira). Na região da esteira forma-se redemoinhos, que tendem a arrastar para trás o objeto (arrasto). Quanto mais rápido o movimento, maior o arrasto. Curiosidade: o dispêndio de energia na água depende do tamanho e posição do corpo e velocidade e direção do movimento; na água fria, uma grande quantidade de energia pode ser necessária para manter a temperatura corporal.

 

Calor específico da água: Edlich et al apud Bates e Hanson (1998) apontam que o calor específico da água é milhares de vezes o do ar, e a perda de calor na água é 25 vezes a do ar a dada temperatura. Esta perda de calor pode acontecer por condução (movimento de energia térmica de algo mais quente para algo mais frio) ou por convecção (perda de calor causada pelo movimento da água contra o corpo). Bates e Hanson (1998) O corpo humano quando imerso ao meio liquído apresenta uma intensificação da perda de calor, cerva de 25 vezes maior que no ar (Bates e Hanson 1998). Isso faz com que o ser humano quando imerso procure o equilíbrio em sua temperatura corporal. A regulação da temperatura corporal durante o exercício na água é diferente da do ar porque a evaporação do suor, o principal meio de dissipação de calor durante exercício no ar, não ocorre na água, e a perda ou ganho de calor por convecção e condução é muito maior na água. Em 1966 foi definido a temoneutra, temperatura da água onde não ocorre alteração na FC (Craig e Dvorak, 1966). Está bem definida na literatura cientifica que a água abaixo da temperatura termoneutra apresenta bradicardíaca na FC, temperaturas acima provocam taquicardíaca. Sendo que quando maior a diferença da termoneutra maior será a variação da FC para mais ou para menos (Alberton et al. 2006). Na hidroginástica a temperatura recomendada é de 27 a 29ºC. Curiosidade: a exposição a temperaturas mais altas aumenta a elasticidade muscular, ajudando a melhorar a flexibilidade por aumentar o ângulo do movimento, possibilitando maior prevenção contra danos nos músculos durante a execução dos exercícios, entretanto, há de se tomar cuidados: água muito quente reduz a pressão sanguimea, que pode levar a tonturas e até desmaios na hora de sair da água, e as varizes, cujas dilatações podem se agravar. Atividades mais intensas, como natação ou pólo aquático devem ter temperatura mais fria quando comparada a atividades menos intensas como hidroginástica, justamente para que não ocorra tonturas e “moleza”; já esportes radicais como o surf, windsurk, katesurk, bodybording e mergulho são plenamente possíveis, desde que praticados com as roupas adequadas isolantes de borracha (neoprene) tipo Longjohn para evitar hipotermia na água dos mares, nesse caso dependendo do esporte, quando realizados em mares de temperaturas muito baixas como travessias no Canadá por exemplo, é necessário acompanhamento médico severo.

Como pode observar, existem muitas diferenças em nossas respostas fisiológicas, portanto, procure sempre um profissional adequado para que oriente de acordo com seu caso qual atividade e forma a executar!

Alberton et al.Frequência Cardíaca em homens imersos em diferentes temperaturas de água. Rev. Port. Cien. Desp. 3 (V) 266-273

Craig AB, Dvorak M. Thermal Regulation of Man Exercising During Water Immersion. J Apll Physiol. 25:28- 35, 1968.

Frere E. et al. Hidroginástica para melhor qualidade de vida de idosos EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 16, Nº 163, Diciembre de 2011

Caromano F.A, Candeloro J.M. Fundamentos da Hidroterapia para Idosos. Arq. Ciênc. Saúde Unipar; 5 (2): 187-195., 2001.

Sacchelli; Accacio; Radi, Fisioterapia aquática, Barueri- SP: Manole, 2007

Skinner; Thomson (1985), Duffield: Exercícios na água. 3. ed. São Paulo: Manole,1985

Candeloro e Caromano. Efeito de um programa de hidroterapia na flexibilidade e na força muscular de idosas. Rev. bras. fisioter., São Carlos, v. 11, n. 4, p. 303-309, jul./ago. 2007

Bates, A.; Hanson, N.; Exercícios aquáticos terapêuticos. 1ª Ed., São Paulo-Sp. Manole 1998

 

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