Treinamento em altitude – benefícios e curiosidades

 

Na altitude, a intensidade do exercício é reduzida devido à menor disponibilidade de oxigênio. Uma permanência adequada neste ambiente rarefeito (com pressão barométrica diminuída e baixa concentração de oxigênio) desenvolve diversas alterações fisiológicas que garantem um melhor transporte de oxigênio; a duração da exposição e o nível de altitude são os principais fatores que podem levar a uma performance otimizada ou a prejuízos para a saúde do atleta. (WILBER, STRAY-GUNDERSEN, LEVINE, 2007; MAZZEO, 2008). As alterações fisiológicas, como conseqüência da hipóxia, que ocorrem nos momentos iniciais de exposição à altitude são necessárias para o fornecimento de oxigênio aos tecidos, seguidas por adaptações crônicas que podem levar meses. Os efeitos da aclimatação podem variar de acordo com a altitude e a individualidade biológica.

Os ajustes imediatos observados em resposta a exposição aguda à altitude são a hiperventilação (aumento da quantidade de ar que ventila os pulmões, que pode ocorrer em por aumento da frequência ou da intensidade da respiração) e um maior débito cardíaco (volume da sangue ejetado pelo coração durante um minuto) até em condição de repouso. Exposições prolongadas à altitude proporcionam ajustes que ocorrem de maneira mais lenta, para melhorar a tolerância à hipóxia, como um equilíbrio ácido-básico dos líquidos corporais, um aumento no número de hemácias e maior concentração de hemoglobina. O processo de adaptação a um ambiente com menor quantidade de oxigênio também eleva os níveis das catecolaminas (adrenalina e principalmente noradrenalina), que tem como principal efeito a constrição aumentada das arteríolas e vênulas, resultando em aumento da pressão arterial.

Com a síntese de eritropoetina elevada, aumenta a produção de hemácias, e consequentemente o número de hemoglobina disponível, melhorando a capacidade de ligação do oxigênio; ocorre um aumento no número (policitemia) e no tamanho das hemácias, e com isto, um aumento da viscosidade do sangue, o que torna o trabalho cardíaco maior. Além disso, em resposta a queda da oferta de oxigênio, para compensar essa disponibilidade diminuída ocorre um aumento da liberação de O2 pela hemoglobina, portanto, com uma afinidade reduzida pelo oxigênio, a hemoglobina o libera de maneira mais eficiente. (FOSS, KETEYIAN, 2000). E mais: a mioglobina, que funciona como um reservatório adicional de oxigênio no músculo, recebe o O2 transportado pela hemoglobina e o libera em condições de pO2 (pressão parcial de O2 ) muito baixas, para ser utilizado pelas mitocôndrias das células musculares.

Por fim, é importante fazer um adendo: com o aumento na taxa metabólica basal (entre 400 à 600 kcal por dia), juntamente com uma redução no apetite e no consumo alimentar, muitas vezes ocorre uma diminuição do peso da pessoa exposta à altitude (anorexia), caso não ocorra um replanejamento nutricional (BUSS e OLIVEIRA, 2006).

Como você pode observar existem diversas alterações fisiológicas proporcionadas pelo estímulo agudo e crônico à altitude, por isso, a exposição deve ser feita acompanhada sempre por um profissional da área!

ARAUJO, R.C. Efeitos da exposição à altitude no desempenho físico Revista digital Buenos Aires año 13, nº 129, Febrero 2009.

WILBER, R. L. Application of Altitude/Hypoxic training by elite athletes. Medicine & Science in Sports & Exercise, v. 39, n. 9, p. 1610-1624, set. 2007.

LEVINE, B. D.; STRAY-GUNDERSEN, J. Point: Positive effects of intermittent hypoxia (live high - train low) on exercise performance are mediated primarily by augmented red cell volume. Journal of Applied Physiology, v. 99, n. 5, p. 2053-2055, nov. 2005.

MAZZEO, R. S. Physiological Responses to Exercise at Altitude. Sports Medicine, v. 38, n. 1, p.01-08, jan. 2008.

FOSS, M. L.; KETEYIAN, S. J. Fox Bases Fisiológicas do Exercício e do Esporte. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. 560p

BUSS, C.; OLIVEIRA, A. R. Nutrição para praticantes de exercício em grandes altitudes. Revista de Nutrição, v. 9, n. 1, p. 77-83, jan./fev. 2006.

 

 

 

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" Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta vitória que vence o mundo: a nossa fé." ( 1Jo 5:4)

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