Relação cintura-quadril: alerta para riscos cardiovasculares

 

cintura

A relação cintura-quadril (RCQ) é correspondente ao cálculo matemático: cintura/ quadril em centímetro (cm). Um valor alto de RCQ é um indício de obesidade central (localizada na parte superior do corpo), e esta obesidade está associada a maior propensão ao desenvolvimento de doenças como diabetes, hipertensão, e principalmente à doença coronariana. Paralelamente, há outras diversas técnicas de medidas antropométricas para avaliação de obesidade como circunferência abdominal, percentual de gordura corporal, índice de massa corporal e peso corporal.

Foi publicado na revista The Lancet que a RCQ é melhor que o índice de massa corporal (IMC) – calculado pela razão peso corpora (Kg) /altura (m)2  - para prognóstico de risco de cardiopatia/ataques cardíacos para vários grupos étnicos, isto porque o segundo não leva em consideração a distribuição da gordura corporal nem o quanto de massa magra a pessoa possui, podendo um atleta e um sedentário apresentar IMC semelhantes.

Ademais, a obesidade está diretamente relacionada à quantidade de tecido adiposo e não necessariamente a um maior peso corporal, visto que fisiculturistas têm o IMC alto e são classificados erradamente, o que não consiste numa realidade, pois grande parte de seu peso é composto por massa magra (livre de gordura). Em situação oposta há pessoas dentro da faixa do “peso ideal” mas que apresentam alto percentual de gordura corporal. Observe que o segundo caso citado é mais preocupante e, infelizmente, grande parte da população não faz idéia da complexidade da questão.

Existem diferentes classificações para a obesidade. Anatomicamente, a obesidade pode ser localizada ou generalizada. O tipo localizado consiste no acúmulo de gordura restrito a uma ou mais áreas corpóreas. Por sua vez, o tipo generalizado caracteriza-se pelo excesso de gordura homogeneamente distribuído pelo corpo.

Maior circunferência na região da cintura reflete uma deposição de gordura abdominal e configura um fator de risco, enquanto quadris largos, os quais podem indicar a quantidade de músculo nos membros inferiores, são um fator de proteção. A distribuição de gordura corporal tem forte determinação genética, mas fatores como sexo, idade e outros comportamentais, como tabagismo e falta de atividade física, podem ser determinantes.  Especula-se na literatura que fatores hormonais possam influenciar em tais medidas.

YAMAGISHI S.I.(2001) e PARHAMI F.(2001) observaram que a gordura visceral leva a um aumento de adipocinas, incluindo a leptina, que pode promover aterosclerose por uma ativação acentuada de células endoteliais e migração, proliferação de células musculares lisas e calcificação vascular. Proteínas que são potencialmente protetoras contra o desenvolvimento de diabetes e doenças cardiovasculares (adiponectina, glicogênio sintase, e proliferador de receptor ativado por peroxisoma - PRAP) têm menores níveis de expressão em gordura visceral comparada com gordura subcutânea (MONTAGUE CT.,1998). Gordura visceral tem mais receptores adrenérgicos e função diminuída de receptores antilipolíticos, que levam a maiores taxas de lipólise e ácidos graxos livres estimulados por catecolaminas (ARNER P.,1995). Gordura visceral também produz mais o inibidor de ativação de plasminogênio 1, um inibidor de fibrinólise comparado com gordura subcutânea (ALESSI M.C., 1997), enquanto a expressão de angiotensinogênio, um potencial regulador de pressão sangüínea, é também maior em  gordura visceral (DUSSERRE E., 2000).

Avalie a sua condição apenas com uma fita métrica medindo primeiramente o ponto de menor circunferência na região do tronco -  cintura – e o ponto de maior circunferência do quadril, para maiores informações e mensuração mais exata procure auxílio de um profissional de Educação Física. Após serem realizadas ambas as medidas, use a tabela abaixo para conhecer sua classificação quanto ao risco à sua saúde:



  

Classificação de risco para mulheres

IDADE






BAIXO

MODERADO

ALTO

MUITO ALTO

20 A 29






< 0,71

0,71 - 0,77

0,78 - 0,82

> 0,82

30 A 39






< 0,72

0,72 - 0,78

0,79 - 0,84

> 0,84

40 A 49






< 0,73

0,73 - 0,79

0,80 - 0,87

> 0,87

50 A 59






< 0,74

0,74 - 0,81

0,82 - 0,88

> 0,88

60 A 69






< 0,76

0,76 - 0,83

0,84 -0,90

> 0,90

 

    

Classificação de risco para homens

DADE

BAIXO

MODERADO

ALTO

MUITO ALTO

20 A 29

< 0,83

0,83 - 0,88

0,89 - 0,94

> 0,94

30 A 39

< 0,84

0,84 - 0,91

0,92 - 0,96

> 0,96

40 A 49

< 0,88

0,88 - 0,95

0,96 - 1,00

> 1,00

50 A 59

< 0,90

0,90 - 0,96

0,97 - 1,02

> 1,02

60 A 69

< 0,91

0,91 - 0,98

0,99 - 1,03

> 1,03



Referências bibliográficas:

 

ELSAYED E.F. et al. Waist-to-Hip Ratio and Body Mass Index as Risk Factors for Cardiovascular Events in CKD American Journal of Kidney Diseases, Vol 52, No 1 (July), pp 49-57 49,2008

YAMAGISHI S.I. et al. Leptin induces mitochondrial superoxide production and monocyte chemoattractant protein-1 expression in aortic endothelial cells by increasing fatty acid oxidation via protein kinase A. J Biol Chem 276:25096-25100, 2001

PARHAMI F. et al. Leptin enhances the calcification of vascular cells: Artery wall as a target of leptin. Circ Res 88:954-960, 2001

MONTAGUE C.T. et al Depotrelated gene expression in human subcutaneous and omental adipocytes. Diabetes 47:1384-1391, 1998

ARNER P. Differences in lipolysis between human subcutaneous and omental adipose tissues. AnnMed 27:435- 438, 1995

ALESSI M.C. et al  Production of plasminogen activator inhibitor 1 by human adipose tissue: Possible link between visceral fat accumulation and vascular disease. Diabetes 46:860-867, 1997

DUSSERRE E.  et al. Differences in mRNA expression of the proteins secreted by the adipocytes in human subcutaneous and visceral adipose tissues. Biochim Biophys Acta 1500:88-96, 2000

CABRERA M.A.S. et al. Relação do índice de massa corporal, da relação cintura-quadril e da circunferência abdominal com a mortalidade em mulheres idosas: seguimento de 5 anos. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 21(3):767-775, Mai-Jun, 2005

 

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" Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta vitória que vence o mundo: a nossa fé." ( 1Jo 5:4)

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